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Coliseu: Braide gastou R$ 132 mi com empresa extinta

ResumoColiseu, empresa pública extinta em 2007, recebeu cerca de R$ 132,4 milhões da gestão do ex-prefeito Eduardo Braide (PSD) entre 2021 e 2026. O levantamento aponta repasses à companhia mesmo após sua extinção oficial. O caso envolve contratos e pagamentos que somam o montante, conforme registros analisados.

Levantamento aponta que a gestão do ex-prefeito Eduardo Braide (PSD) destinou cerca de R$ 132,4 milhões à Coliseu, empresa pública extinta em 2007, entre 2021 e 2026. Entenda o caso.

Tatiana Réis
Tatiana Réis Repórter de serviço · 12 de agosto de 2026 · 4 min de leitura
Coliseu: Braide gastou R$ 132 mi com empresa extinta

Ex-prefeito Eduardo Braide gastou R$ 132 milhões com empresa extinta há quase duas décadas

A administração do ex-prefeito Eduardo Braide (PSD) destinou aproximadamente R$ 132,4 milhões à Companhia de Limpeza e Serviços Urbanos de São Luís (Coliseu), empresa pública extinta em 2007, entre 2021 e 2026, considerando dados disponíveis até 31 de março deste ano. O levantamento foi divulgado pelo jornalista Davi Max, com base em dados do Portal da Transparência da Prefeitura de São Luís e em peças orçamentárias.

Por que uma empresa extinta continua custando milhões?

A Coliseu está em processo de liquidação há cerca de 19 anos, depois de ter sido extinta por decreto durante a gestão do ex-prefeito Tadeu Palácio, em 2007. A empresa, criada em julho de 1975, desempenhou papel importante na limpeza pública de São Luís, mas acumulou problemas financeiros e administrativos ao longo dos anos, chegando à insolvência.

O peso da folha de pagamento

A empresa possui cerca de 500 trabalhadores com vínculo celetista, muitos cedidos para órgãos e secretarias municipais. A folha de pagamento representa atualmente uma despesa próxima de R$ 1,1 milhão por mês, o equivalente a aproximadamente R$ 13,7 milhões por ano.

Isso significa que, embora a empresa tenha deixado de exercer sua função original, a conta continua chegando e sendo paga com dinheiro público.

Histórico de denúncias e CPI que não avançou

A história da Coliseu é marcada por denúncias e suspeitas de irregularidades administrativas. Em legislaturas anteriores, o então vereador Estevão Aragão (PSB) solicitou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de São Luís para investigar problemas relacionados à companhia. A proposta não avançou.

Na época, o então vereador Francisco Chaguinhas (Podemos) classificou a Coliseu como a "rainha da corrupção", em referência ao histórico de denúncias envolvendo diferentes administrações municipais.

Entre os fatos que poderiam ser investigados estavam denúncias relacionadas à venda de caminhões, possíveis irregularidades fiscais, pagamentos questionados, despesas sem licitação e contratos de aluguel de veículos.

Orçamento da Coliseu durante a gestão Braide

Os valores previstos no orçamento para a Coliseu durante a gestão de Eduardo Braide chamam atenção:

  • Em 2021, primeiro ano do governo Braide, foram previstos R$ 10,18 milhões.
  • Em 2022, o montante subiu para R$ 12,94 milhões.
  • Em 2023, a previsão chegou a R$ 13,75 milhões.

Somados apenas esses três exercícios, os valores alcançaram aproximadamente R$ 36,89 milhões.

Comparação com áreas essenciais

Em 2023, a previsão orçamentária da Coliseu, de R$ 13,75 milhões, superava os recursos destinados a algumas áreas da administração municipal:

  • Secretaria Municipal de Desporto e Lazer (Semdel): aproximadamente R$ 7,88 milhões.
  • Secretaria Municipal de Turismo (Semtur): cerca de R$ 4,38 milhões.
  • Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam): aproximadamente R$ 3,12 milhões.

A comparação não significa que os recursos poderiam ser simplesmente transferidos, mas levanta a questão: como uma empresa extinta demanda mais recursos do que setores responsáveis por políticas públicas em esporte, turismo e meio ambiente?

Uma herança que atravessa governos

A Coliseu não nasceu durante a gestão Braide. Seu processo de decadência se arrasta há décadas. A companhia começou suas atividades em 1975 e entrou em processo de deterioração financeira a partir da década de 1980. A aquisição de caminhões e equipamentos inadequados contribuiu para o agravamento das dificuldades financeiras.

A situação se deteriorou com o acúmulo de dívidas e problemas administrativos, até que a Prefeitura decidiu extinguir a companhia em 2007. Extinguir uma empresa no papel, porém, não elimina suas obrigações.

O que a Prefeitura de São Luís precisa explicar

A Prefeitura de São Luís precisa explicar, com números e documentos:

  • Quanto ainda deve à Coliseu.
  • Quanto já gastou desde a sua extinção.
  • Quantos funcionários permanecem vinculados à companhia.
  • Quais obrigações justificam os pagamentos.
  • Qual o prazo para o encerramento definitivo da liquidação.

O cidadão ludovicense tem o direito de saber para onde está indo cada real. Se a Coliseu foi extinta em 2007, por que a conta continua tão viva em 2026?

Perguntas Frequentes

Quanto Eduardo Braide gastou com a Coliseu?

A gestão do ex-prefeito Eduardo Braide destinou aproximadamente R$ 132,4 milhões à Coliseu entre 2021 e 2026, segundo dados do Portal da Transparência da Prefeitura de São Luís.

Quando a Coliseu foi extinta?

A Coliseu foi extinta por decreto em 2007, durante a gestão do ex-prefeito Tadeu Palácio, e está em processo de liquidação há cerca de 19 anos.

Quantos funcionários a Coliseu ainda possui?

A empresa possui cerca de 500 trabalhadores com vínculo celetista, muitos cedidos para órgãos e secretarias municipais.

Qual é a despesa mensal da Coliseu?

A folha de pagamento da companhia representa uma despesa próxima de R$ 1,1 milhão por mês, cerca de R$ 13,7 milhões por ano.

Por que a Coliseu ainda recebe dinheiro público?

A extinção administrativa não eliminou as obrigações acumuladas, como dívidas, contratos e passivos trabalhistas, que continuam sendo pagos com recursos municipais.

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